8 de dezembro de 2020

Solstice at Stonehenge

They all came to the circle of stones

To celebrate the summer. After sunset,

The goat drums start and incite

A frenzy of hooves and horns, dancing

Snakes crawling up your spine.

 

A fire burns in every heart. Chants,

Screams  and sighs calling him closer

And by midnight he is there smiling.

The Horned God dances with the moon.

 

Almost unseen... But some whispers

His many names, on many tongues.

Desires, like flames, moving endlessly.

Eyes in the dark, spirit animals and love.

 

The stones seem to gather all this energy

Moving in the darkness, like forever before,

Showing the faces of forgotten heroes,

Shaping green dragons, forlorn griffins,

Demons of purple and glittering pink unicorns.

A tower under the sky, made of meteorites,

Or a temple of mystery immortal and silent.

 

The small hours bring the first lights

Painting nightmares of old and young dreams

Even more colorful until rock is just rock

And everyone, only themselves...

 

The sun rises simply but miraculously,

Pouring holy fire over the horizon

And into our eyes and soul. A new day

Bringing the promises of a life's harvest.

19 de novembro de 2020

The goat of Mendes

I am a being of sex!

With lust and sap
I make my hex
Or lay a trap.

With hooves and horn
I love, dance and drink
Singing to the unborn:
A new way to think!

Wild and furry goat.
I live my own life
Free in a dark coat.

From Mendes I've a knife,
A house inside a oak
And the devil for a wife.

18 de julho de 2017

Suggestion

I think you should know,
'Cause when your eyes glow
You don't want to go.

I think you should stay,
'Cause when our bodies play
There is nothing more to say.

I think you think of me,
In a room drinking whiskey,
How thoughts drift easy.

Don't think anymore.
If you want, I'll implore.
Explain the metaphor.

I think you should stay,
'Cause when our bodies play
There is nothing more to say.

12 de maio de 2017

LONDON BEASTS

Vagabond foxes Alley cats lone wolfs
Under the full moon
Whispers in the night
Silent footsteps
An ancient howl
Echoes in London.

Hot wine smooth
Skin smell of
Hair wet fur
Meadows cities railroads
Light and dark tamed
Animals birds of prey

No return from where
The Beast lies and waits
Clearing in the woods
Dancing by the fire
Candlelight veiled secrets
Open eyes watching.

- I am a predator scavenger of cemeteries
Madhouses insomnia febril
Dreams coming true.

- I am the power
To satisfy your desires
Granting gifts to whom
Is not there, the peace
Following all lamentations.
I speak the tongue of man and ride
The skin of women.

- I am the falcon that lives
In every wild thing.
When you make love
I am beside you
And inside you too.

The fox in the darkness
Hunts and dies on the teeth of wolf or man.
So get your share of this earthly banquet
And drink to me While you can.

Who will be waiting,
When the party is over,
To put you to rest eternally on their bed?

2 de setembro de 2016

O menino Brasil



O Brasil é uma criança triste que dá vontade de embalar até dormir.
É país um país menino de rua, que cativa com um sorriso bonito e depois te assalta.
Uma nação que luta consigo mesma.
Forjada de diferentes metais,
É uma mistura que não aceita a diferença, nem a si mesma.

Enquanto dorme, o Brasil sonha com o futuro.
Mas não lembra o passado e se perde no presente.
Um vira-lata magro que apanha na rua, mas tem fé e diz que Deus é brasileiro.
É uma gente humilde, que sabe o seu lugar,
E uma mão de ferro pra controlar a festa.

O Brasil tem carnaval, muita terra e injustiça até perder de vista.
Tem praia pra alugar, mulata pra namorar
E muita vontade de comprar.
Os portugueses trocaram por uns espelhinhos,
Que deram pros ingleses, pra pagar roupas da moda e os africanos.

Os ingleses perderam por aí, acho que numa guerra, e já nem sei quem é o dono desse país.

Mas deve ter dono, pois sempre tem um segurança na porta que não me deixa entrar no shopping center.

O poeta disse que o Brasil não é para amadores.
Amar à pátria é difícil. Ame-o ou deixe-o.
O país do futebol, onde a vida é uma partida, que perdida, vale menos do que um jogo da seleção.

Quando tarde da noite me lembro do meu país, me sinto como ele, sozinho na rua, esperando o abraço da pátria mãe gentil, debaixo de uma marquise.

Londres, 2016.

25 de setembro de 2015

CARAÍVA

Perdido na praia o dia todo
com os olhos pregados
em suas curvas morenas.

As nuvens rolavam assim,
Enquanto ela descobria o seio
Para o filho mamar mais.

Como índios,
Esperamos a noite cair
Para um banquete no escuro.

Fazer amor com a lua -
Preguiçosamente -
E dançar ao som da sanfona
E do triangulo, até amanhecer
Na praia. Encontro do rio
com as águas do mar no mangue.

18 de abril de 2015

BEIJO COM PIMENTA
Julho de 2013

-Me beija antes de jogarem mais spray de pimenta!
Ela me pedia acuada em um bar na Lapa,
Enquanto a multidão corria
Enquanto nossas bocas queimavam e nossos olhos ardiam
As bombas caiam, pessoas caindo, bandeiras caídas, por que não cairíamos também nós,
Numa ilusão de mudança - um sonho de paz – que era pólvora pura?

A rede social botou todo mundo junto ao mesmo em todo o lugar.
Paramos o Brasil para fazer amor nas avenidas,
Mas depois de algumas vezes descobrimos que somos muito diferentes.

A separação não foi amigável, queimamos nosso ninho e fugimos
Da carrocinha como cachorros loucos, raivosos e sarnentos.
Já não podemos jogar as máscaras fora e quando o Choque marcha...

Tontos pelo gás lacrimogênio, pasmos se perguntam em que ano estamos.
- Vamos voltar às ruas? Se fugirmos para onde podem levar isso?
Eu não sei responder, então a beijo para não chorar.
Rio de nervoso

O Rio de Janeiro
Em fevereiro ferve.
É feito sexo, samba,
Suor, cerveja e
Água do mar.

É povoado de gringos
E mulatas, prostitutas,
Travestis, traficantes,
Malandros da Lapa.

É um sonho cyberpunk:
Andróides sexuais,
Fausto Fawcett,
Fuzis e granadas caseiras.
Um gozo desesperado
No meio de um tiroteio.

Mas é cidade romântica,
Oferece um amor
Em cada esquina,
Uma moça de Vinicius
E uma noite de Noel Rosa.
Dá gosto passear por suas ruas
Como fazia o João do Rio.

Juntando essas duas partes
Temos um ansioso bipolar.
Entre alegrias de carnaval
E o medo das balas perdidas,
Precisa de farmácias sempre abertas
Repletas de calmantes e soníferos;
Muitos bares para rir ou chorar
E igrejas que vendem o sucesso
Em pequenas prestações.

O Rio vibra com uma gargalhada
Histérica. Riso de nervoso.





19 de outubro de 2014

Ladrão de horas

Quem roubou a meia-noite?
Quem furtou as horas dos amantes,
Usurpou os sonhos dos poetas
E fez cal do orvalho distante?
Era meia-noite e meia
A hora marcada por você
Para me dar uma madrugada,
Mas já não há mais como.
A noite a tudo envolveu.
Em seu silêncio, espreita
Algo faminto por minutos
E momentos que não vivemos.

12 de julho de 2014

ESPELHOS E FUMAÇA

Observo esse xadrez de partida tão antiga
Sem saber se os blocos negros ganham o jogo.
Já não entendo a mensagem das torres de marfim,
Sem ouvir o que não pôde ser escrito.

Entre espelhos e fumaça, não distinguo contornos
Dessas peças que tento em vão encaixar.
Vejo reis, sem enxergar os jogadores,
Que se oferecem para logo desferir o golpe fatal,
Com um cavalo esquecido ou aquele bispo distante.

Afinal, nunca foram apenas dois nesse jogo
E até as rainhas - de ambos os lados -
Se movem como que por vontade própria
(Ou ficam imóveis), mas são impulsionadas
Por motivos e forças desconhecidas:
Tradição, dívidas ou luxúria insaciável.

Por trás de espelhos e fumaça, estão as sombras
Onde se esconde quem transformou a vida
Nesse xadrez estampado nas páginas dos jornais,
Em livros de história, falências generalizadas,
Revoluções frágeis, guerras longínquas
E armas de destruição em massa.

Não nos deixam reconhecer os corpos
Refletidos nas vidraças quebradas.
Não é possível apurar fatos apagados
Pelo fogo a destruir sobrados do passado.
A verdade se perdeu nesse labirinto
De espelhos encobertos por fumaça.

Para achar algum sentido nesse xadrez sem fim
É preciso olhar fundo nos olhos do seu reflexo
E ver a única fronteira em jogo nessa batalha
Tão repetitiva: a liberdade da sua mente.

As pedras não têm mais cores por baixo da fuligem.
Os movimentos - à direita ou esquerda -
Já não levam na mesma direção que apontam.
Mentiras invertidas se tornaram a regra
E só nos restou assistir a mais um jogo
Através de espelhos (de plasma) e fumaça (das bombas).

Quando tomba um rei sobre o tabuleiro,
Outro déspota logo vem para tomar o trono,
Mas os blocos negros e os peões brancos
São dois lados da mesma moeda, opostos complementares.
Quando saem de suas casas para vencer o inimigo,
Não sabem quais vitórias suas ações -
Contorcidas em espelhos e veladas por fumaça -
Irão por fim engendrar.

Deixo essa disputa para bispos negros
E os quatro cavaleiros - até o fim do mundo...
Que todas as peças caiam, os espelhos se quebrem
E a fumaça se dissipe diante nossos olhos!

16 de outubro de 2013

Escaravelhos no deserto

O céu paira insondável
sobre todos nós -
Nada revela além de pássaros,
Nuvens e balões.

Nem o sol e lua
Revelam certos enigmas.
Nas estrelas que formam
Desenhos, o quanto
Precisamos mergulhar
Para domar a esfinge?

Cavei escaravelhos no deserto
E entre pirâmides encontrei
Mistérios insolúveis.

Não há verdades absolutas
No meu horizonte
E como o dia se faz noite
Eu também passo pela vida,
De uma coisa à outra
levando apenas o essencial:
O momento presente.

E como à noite nasce o dia,
Eu também trago luz
Aonde a escuridão
Protege o que não revela:
O pensamento oculto.


15 de outubro de 2013

Glória, fama e fortuna

Glória, fama e fortuna -
Belas putas
Filhas da puta
Madre Guerra.

Quantos cortejaram
A madre superior
Apenas para foder
Suas suculentas noviças?

Todos os prêmios doces
Dos vitoriosos viraram
Pó e areia na boca
De perdidos e derrotados.

Mesmo com todo o sangue
Buscam a cama dessa madame
Soldados e generais,
Banqueiros e diplomatas;
Em surubas regadas a grana
E delírios de grandeza.

Quanto podemos perder
Ou ganhar com mais um
Conflito sangrento?

Nada importa!
A maior tara
É mesmo de matar
E depois de enjeitada a briga
Até com quem perde,
Glória, fama e fortuna
costumam se deitar.

8 de março de 2012

Flor Marciana

Em Marte achei sob uma porta
Uma flor estranha, com pétalas,
Espinhos e néctar para saciar

Minha eterna sede por beleza.
Senti dor quando beijei seu espinho.
Mas foi o seu ungüento, minha cura.

Não havia vida à sombra das pirâmides.
Os sonhos marcianos acabaram.

Somente minha impossível flor azul
Brota naquelas areias vermelhas.

29 de dezembro de 2011

Soneto de carnaval

p/ Marcia

Breves tardes de verão – delirantes –
Vieram abrasar inverno frio.
Ao entardecer, apenas amantes,
Mas até o destino tem seu brio.

Sem beijos, só olhares cantantes,
Carícias fizeram de nós um trio.
Embora só na estrada antes,
Nossa quimera futura eu crio.

Corpos nus na cidade do prazer,
Fizemos amor na festa de Baco.
Essa noite de sexo – mais que um lazer –

Fez da jóia diamante opaco,
Da noite eterna, amanhecer.
Em palácio se fez o meu barraco.

9 de maio de 2011

Lançamento dia 14 de Maio


Meu novo livro, sobre a Imprensa Alternativa Brasileira e a Contracultura será lançado no dia 14. Também estarei vendendo cópias do Malícia & Babilônia. Por favor, compareçam! O Espaço Multifoco fica na Avenida Mem de Sá, 126, na Lapa - o bairro boêmio.

Vejo vocês lá!


28 de julho de 2010

Me cuspa na cara

Me cuspa na cara,
Arranque meu sangue.
Suas rubras unhas
Não me machucam
Como seus olhos
- Gelo seco!

O escárnio queima suas pupilas
E o ódio enrola língua.
Não levanto mão.
Brandindo uma faca
Ofereço meu pescoço
-Venha a guilhotina!

A lâmina francesa não está suja.
Cai aquela máscara enfim,
velha fantasia
- Armadura amarga!

Como uma fera cansada,
Você olha a presa em fuga.
Suas garras se retraem
Seu olhar desfaz as chamas,
Escorre em lágrimas
Nas minhas mãos
- Domo a onça amada!

15 de março de 2010

Solidão

Ausência aliada
À duvida pendente
Fazem cortes fundos
Por toda minha mente.

Essa dor sozinha
Com perfumes de prazer
Pode competir.

Ao provar da sua fonte
Encontro saudoso
Gosto de sonhar,
Sem saber mesmo assim
Até onde podemos ir.

O sabor luminoso
Desvaira e fere.
A semente é minha dor
E de toda essa angústia
Nasce mais e mais alegria,
Quando vejo você dormir.


Não há sombras sem luz,
Nem amor sem solidão.

11 de março de 2010

Cigana

Põe as cartas na mesa;

Na cama, os amantes,

Rainha de paus e o demônio.


Fez um jogo fatal:

As cartas, como as roupas,

Esquecidas, desnecessárias.


Seu corpo é como uma cigana

Ao abrir as cartas de Marselha.

Estrangeiro

Abra-se e me abrace,
Sou estrangeiro no mundo.
Minha casa é seu ventre;
Minha terra, seus braços.

Perca-se ao me beijar.
Ache em meus lábios
O último dia de verão.
Um refúgio derradeiro
Para quem viajou demais.

Vamos dar um ao outro
Nossas eternas solidões
E nossos breves corpos.

Seu ventre é meu país;
Seus seios, meu verão.
Em você, descanso afinal.

8 de março de 2010

Felicidade

Vi a felicidade
Nuns olhos azuis,
Mas tão logo surgia
Já estava perdida.

Nem sei mesmo
Se era ela
E de tanto buscá-la
Não lembro seu nome.

Onde provei
Seu gosto fugaz
Ficou uma cicatriz
Mas o gosto sumiu.

Talvez só na infância
Ou quando trepava
Em árvores e me perdia
No bosque a tinha.

Já nem sei onde moras
Ou mesmo se existe,
Mas a dor é real
E por isso te busco.